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Alunos visitam Sítio Arqueológico do Passal - Couto do Mosteiro

Alunos visitam Sítio Arqueológico do Passal - Couto do Mosteiro

05 mai '22
Município
Três turmas da Escola Secundária de Santa Comba Dão visitaram, ontem, 3 de maio, o sítio arqueológico do Passal - Couto do Mosteiro, numa iniciativa promovida pela Associação de Estudos do Baixo Dão (AEBD), em parceria com o Município e Agrupamento de Escolas.
 
Susana Martins da AEBD enquadrou as escavações no âmbito do estudo sobre o povoamento antigo de Santa Comba Dão no primeiro milénio da era cristã, efetuado pelo arqueólogo Pedro Matos do Centro de Estudos de Arqueologia Artes e Ciências do Património (CEAACP) - Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).
 
A dirigente da associação mostrou, no local, os dois níveis históricos de ocupação da zona. Como se de uma máquina do tempo se tratasse, os alunos puderam visualizar, a um nível superior, as ruínas das fundações de um edifício da Alta Idade Média, contemporâneo ao primeiro documento antigo (datado de 974 da era cristã), onde é referido o nome Sancta Columba. Num patamar mais abaixo, havia mais vestígios, mas desta feita de uma ocupação romana, da mesma época das ruínas romanas descobertas no Patarinho - Óvoa.
 
E enquanto no Patarinho foram descobertas ruínas de um edifício de grande dimensão, associado à produção de víveres, o nível romano do Passal revela muros de uma divisão - uma cozinha, onde os alunos puderam ver a lareira e vestígios de cerâmica de uso de mesa, utilizada por quem ali vivia, no dia-a-dia. Relativamente a datas da construção romana, foi adiantado que edifício terá sido edificado no séc. I depois de Cristo (dC) e abandonado nos séc III ou IV dC, na transição entre o Alto e o Baixo Império Romano.
 
Sempre em diálogo com os alunos, a dirigente da AEBD transmitiu que os arqueólogos ficaram particularmente impressionados com a quantidade de vestígios cerâmicos encontrados no Passal, sendo que algumas das peças vieram de fora da província da Lusitânia, nomeadamente fragmentos de terra sigillata hispânica, proveniente do Vale do Ebro. Entre os vestígios, há ainda cerâmica de origem regional, possivelmente de Conimbriga - um género de peças conhecida como 'cerâmica cinzenta fina'. Toda esta diversidade permitiu aos arqueólogos avançar que o sítio do Passal - à semelhança do Patarinho, em Óvoa - estava inserido num circuito comercial de longa distância.
 
A importância destes sítios arqueológicos, que têm vindo a ser escavados, desde 2019, no concelho, tanto para a história local, como para a cultura e turismo foram evidenciados ao longo das visitas, tendo sido reservado um período para a interação com os alunos, que se mostraram bastante interessados nestes achados.