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Pinheiro de Ázere

A freguesia de Pinheiro de Ázere pertence ao concelho e comarca de Santa Comba Dão, distrito e diocese de Viseu. Situada entre o Dão e o Mondego, tem a União de Freguesias de Óvoa e Vimieiro, a oeste e norte, São João de Areias a este e o rio Mondego a sul. Dista, aproximadamente, seis quilómetros da sede do concelho e tem uma área aproximada de onze quilómetros quadrados. Tem como população cerca de 1090 habitantes em 536 fogos distribuídos por três povoações: Pinheiro de Ázere, Pinheirinho e Rojão Pequeno.

Pinheiro de Ázere foi vila e sede do concelho na comarca de Viseu. O seu concelho extinguiu-se em 1834, passando para São João de Areias. Em 1895 estabelece-se em Santa Comba Dão. Pouco se sabe da constituição deste extinto concelho, mas a "villa" de Ázere vem mencionada nas Inquirições de 1258, sendo o lugar de Pinheiro uma honra. A antiga freguesia era vigararia da apresentação da Mesa da Consciência e comenda da Ordem de Cristo.

Origem do topónimo

Diz-se que a freguesia se denominava, nos primeiros tempos, Santa Maria do Pinheiro. A palavra Pinheiro deve ter tido origem no facto de ter existido, em tempos remotos, junto da ermida dedicada a Nossa Senhora, um monstruoso pinheiro que caiu por ocasião de um grande temporal, no ano de 1700. Esta ermida existiu em São Miguel Velho, em Pinheirinho.

Para uns a palavra Ázere deriva da palavra “azize”, que significa estimada. No entanto, há quem considere que ela deriva de “azar” que significa batalha. "Este último significado também pode estar relacionado com um acontecimento histórico que ocorreu no século XIV. D. João Afonso, senhor da Lousã e Arouca, desafiou o irmão, D. Pedro Afonso, conde de Barcelos, para um combate. Estes senhores feudais eram filhos de D. Dinis e D. Grácia, portanto filhos bastardos. A esposa legítima do rei era a rainha Santa Isabel. Pinheiro de Ázere foi precisamente o local marcado para o combate. O encontro entre os dois pequenos exércitos partidários não chegou a dar-se, porque D. João, aconselhado pelo seu meio irmão (o príncipe D. Afonso, filho legítimo e futuro rei), retirou-se com os seus homens. Estas guerras entre senhores feudais nobres pela posse de áreas extensas de terras, que administravam fora do controlo do rei, foram frequentes na nossa primeira dinastia.

Um pouco de história

Pouco se conhece da constituição do extinto concelho de Pinheiro de Ázere até ao século XIII, mas nas inquirições a que se procedeu em maio de 1258, ordenadas por D. Afonso III, diz-se que uma parte de Pinheiro pertencia a Santa Cruz de Coimbra e as outras três partes à Ordem do Templo, e que os seus homens iam nas hostes do Rei. Quando a referida Ordem foi extinta passou a pertencer à Ordem de Cristo. Teve o privilégio de ser cabeça de comenda com este nome. Aqui vivia o comendador e daqui administrava os seus bens.

A povoação foi crescendo junto da igreja paroquial em honra de São Miguel Arcanjo, o seu orago.

Em 13 de junho de 1514, D. Manuel concedeu-lhe Carta de Foral. Com a outorga deste documento foram atualizados e regulamentados os direitos e os deveres das populações para com o rei. Chegou a ter, entre outros, dois tabeliães, escrivão da câmara, inquiridor, escrivão das sisas, juiz ordinário e dos órfãos, vereador e almotacel. O Cadastro da Beira de 1527 diz que viviam no concelho 46 moradores, cerca de 190 habitantes,

 

Também a reforma de 1836 acabou com o concelho, que passou a fazer parte, como freguesia, do concelho de São João de Areias, até 1895,  após essa data, de Santa Comba Dão.