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Santa Comba Dão

Sede de concelho, Santa Comba Dão é uma cidade portuguesa do distrito de Viseu, situada na província da Beira Alta, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região do Dão-Lafões, com cerca de 3 400 habitantes (Censos de 2011) .
Dotada de todos os serviços essenciais, a vida em Santa Comba Dão evidencia bem-estar e segurança, numa aliança entre a modernidade e a tradição. O padrão de vida é tranquilo, harmonioso e em comunhão com uma paisagem dominada pelo rio e pela floresta.
O  centro histórico da cidade é marcado por um  um povoado de traçado medieval, composto por ruelas e pequenas praças, que revelam autênticos tesouros arquitetónicos.  

Do Bairro Alto à rua Padre Franklim Coimbra, passando pelo Largo do Município e pelo Rossio, Santa Comba Dão tem a história escrita nas pedras das ruas, das igrejas e dos edifícios. Bonitos solares espalhados pela cidade remetem-nos o passado de uma nobreza e burguesia rural, proprietária e agrícola.

Do património arquitetónico evidenciam-se ainda as igrejas Matriz e da Misericórdia, do século XVIII, e a brasonada Casa dos Arcos, por onde passou a Rainha Catarina de Inglaterra, em 1692, e que hoje alberga serviços do Município de Santa Comba Dão. Bem no coração da cidade, no Largo do Município, o pelourinho de pinha piramidal marca pela singularidade uma praça quase intocada no tempo, onde não falta uma ponte (possivelmente românica) sobre a ribeira das Hortas.



Lenda
Nas margens do Rio Om existiu um convento onde habitavam meia centena de jovens freiras, virgens consagradas ao Senhor.


Comba era o nome de uma madre abadessa, que jovem se tornou mártir e santa: Santa Comba.
No tempo em que os mouros conquistaram as terras dos Cristãos, avançando para norte, existiu um valoroso rei mouro, de nome Almançor. Após a tomada de Coimbra, o rei Almançor e as suas hostes acabaram por se aproximar do convento onde as freiras, já sabendo da terrível notícia, rezavam de forma a dominar o medo que as consumia.
A calma triste e sombria do interior do templo contrastava com o ruído da peleja e com o clima de morte que pairava no exterior.


Estando as irmãs absortas nas suas orações, bateram à porta com violência. A madre Comba recomendou-lhes calma, não as deixando sair do local do culto. Espreitando pelo postigo, apercebeu-se que as terríveis suspeitas se concretizavam: do outro lado da porta encontrava-se um jovem sarraceno.
Resolveu ganhar tempo alimentando uma conversa no decorrer da qual ficou a saber que o rei Almançor tinha ordenado ao jovem Aben Abdallah que tomasse para si e para os seus soldados as freiras do convento da margem do Rio Om.


Ao saber o que as esperava, a madre pediu que as matasse a todas, ao que o homem retorquiu não poder destruir o que lhes viria a servir. Impaciente, acabou por pôr a descoberto o rosto de Comba e, ficando admirado com a sua juventude e beleza, reservou-a para si. Zangado, ameaçou que se as conversas não terminassem por ali, entraria à força no convento.


A madre abadessa, percebendo que nada poderia fazer para poupar as monjas ao seu destino cruel, deixou passar o primeiro soldado de Aben Abdallah. Este ficou igualmente espantado com a beleza e juventude de muitas freiras e não demorou muito a demonstrar a sua preferência.


Comba chamou a freirinha, beijou-a na testa e a este sinal a jovem sacou do hábito um punhal que cravou no coração. Todas as monjas repetiram o gesto e tombaram inanimadas.


O guerreiro, aterrorizado e perplexo, fugiu chamando pelo seu chefe, que se precipitou no convento. À sua frente a sangrenta cena! Procurou desesperado pela sua preferida, mas Comba jazia nos braços das suas companheiras.
Quando Aben Abdallah contou o sucedido ao grande Almançor este não conteve a sua fúria e desdenhoso vociferou: “Porque não as mataram logo? Essas mulheres não sabem ser gente!".


Mas os milagres do martírio da jovem bela abadessa permaneceram na memória do povo.
No local do convento surgiu uma povoação que, para se distinguir de Santa Comba do Alentejo e por se situar nas margens do Rio Om, se passou a chamar Comba D’Om. Com o decorrer do tempo o nome evoluiu para Santa Comba Dão.

A Lenda da Virgem Cristã Crucificada
Dizem as lendas que o nome de Santa Comba Dão deriva de Comba, uma virgem cristã aqui martirizada. Segundo umas lendas, Comba era filha de um rico senhor local, no tempo em que os imperadores romanos perseguiam os cristãos.


Um guerreiro romano apaixonou-se pela jovem, que era muito bela. O seu pai quis casá-la, mas Comba pôs como condição que o seu noivo se batizasse. Tanto o pai como o pretendente recusaram. Então, Comba fugiu com a aia, sua mestra. E escondeu-se no monte como se fosse uma pastora.


Até que um dia o pai a encontrou e, desvairado, mandou crucificá-la. No lugar do martírio ergueu-se, mais tarde, uma capela.


Na gruta próxima onde a jovem santa se escondera, brotou uma fonte. E a povoação que nasceu próximo tomou o nome da santa, ligada ao do rio vizinho.