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Santa Comba Dão

História
Sede de concelho, Santa Comba Dão é uma cidade portuguesa do distrito de Viseu, situada na província da Beira Alta, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região do Dão-Lafões, com cerca de 3 400 habitantes.

Os primeiros documentos que referem a sua existência são cartas de doação datadas de 974 a 975, no Mosteiro do Lorvão. Em 1102 esta instituição outorga uma carta de Foro aos moradores de Santa Comba, procurando atrair moradores a esta zona muito devastada pela Reconquista.

As terras acabaram por ser transferidas para o Bispado de Coimbra, situação em que se mantiveram até 1472. Em 1514, D. Manuel concede-lhe Carta de Foral.

Os atuais limites territoriais do concelho foram definidos em 1895.

De acordo com a história, o nome provém de uma abadessa beniditina, de nome Columba, que foi martirizada pelos árabes em 987, e posteriormente coroada santa. Com o tempo, o nome Santa Columba passou a Santa Comba, e o rio rematou o nome, nascendo deste modo Santa Comba Dão.

A localidade recebeu foral de D. Teresa e D. Henrique em 1102, e foral novo em 1514.

Vários foram os povos que passaram pelo concelho, sendo que os primeiros registos datam do período visigótico. No largo do Rossio, há memórias da rendição contra os franceses.

 

Monumentos e locais históricos
Santa Comba Dão apresenta verdadeiros tesouros de um passado mais ou menos longínquo, e que o visitante pode admirar. As formas e estilos de algumas épocas e idades têm, no Barroco, o seu período mais marcante.

Qualquer visitante ou habitante desta cidade pode iniciar a sua visita histórico-cultural pela Igreja da Misericórdia. Datada do século XVIII, o templo possui uma fachada de cariz Renascentista. Começou a ser construída em 1737 e foi inaugurada em 1755. O entalhamento e douramento de altares ficaram concluídos em 1782.

Este monumento é pertença da Santa Casa da Misericórdia.

Em seguida pode dirigir-se aos Aldrógãos, zona típica da cidade onde passa a Ribeira das Hortas. Esta ribeira nasce na fonte do Salgueiral, a seis quilómetros de Santa Comba Dão e desagua no Rio Dão, alimentando, no seu curso, o viaduto e diferentes açudes, que servem de motor a algumas azenhas.

Junto aos Aldrogãos, destaque para a Casa dos Arcos, monumento classificado por Decreto n.º 32 973, de 18 de agosto de 1943. Trata-se de uma construção solarenga que pertenceu aos antigos Barões de Santa Comba Dão, remontando a sua construção ao século XVII.

A fachada de galerias e varandas alpendradas constituem o grande atrativo visual de Santa Comba Dão.

A destacar junto ao portal, armoriado, uma lápide alusiva à visita a esta casa de D. Catarina de Bragança, rainha de Inglaterra, em 1692, e de D. Pedro II de Portugal, seu irmão, decorria o ano de 1704.

No primeiro andar funciona, atualmente, a Biblioteca Municipal.

A Antiga Residência Paroquial data de 1571, tendo sido reedificada no século XVIII. Na fachada principal ainda permanecem as características arquitetónicas do Renascimento. Foi antiga Casa da Misericórdia, e diz-se ter sido um convento, onde existia uma roda para deixar bebés.

A Igreja Matriz é um dos vários exemplares da arquitetura do barroco, com duas torres sineiras. Datada do século XVIII, a sua construção iniciou-se em 1725, tendo sido inaugurada a 11 de julho de 1755. Foi reedificada no último quartel do século XIX, no local onde existiu a Igreja de Santa Maria de Burgo, sagrada nos meados do século XIV por D. Raimundo, bispo de Coimbra.

Uma lápide, em letra gótica, incrustada na parede da Capela-Mor ao lado da epístola, confirma este acontecimento.

Situado junto à Igreja Matriz, num local designado de Outeirinho, encontramos o Miradouro, um local que merece uma visita atenta, uma vez que, aqui, o visitante pode desfrutar de uma vista panorâmica sobre o Rio Dão e sobre o território correspondente à União de Freguesias do Vimieiro e Óvoa. A caminho do Miradouro pode, ainda, admirar-se com o Painel de Azulejos situado no muro da Igreja, que ilustra a Casa de António de Oliveira Salazar.

A Casa da Cultura de Santa Comba Dão deslumbra pela sua dimensão e localização, permitindo a leitura interdisciplinar de uma vasta e diversa paisagem. Trata-se de um espaço cultural que nasceu através da reconstrução e obras de manutenção que o edifício sofreu. Ali funcionava a antiga Casa do Povo.

A concretização deste espaço foi fundamental. Espelhando todo um passado nobre e rico em tradição e perspetiva um futuro com sucesso e inovador. A sua origem prende-se com a vontade de criar uma «Casa» que fomentasse a realização de todo o tipo de atividades culturais, nomeadamente no campo musical, do teatro, do cinema, e de um modo geral, de toda a espécie de artes performativas.

O Largo do Rossio constitui um dos locais mais belos da cidade.

O jogo exterior de habitações e utilização de cal nas juntas das paredes, assim como nas escadas exteriores sem guarda, mostra bem o modelo frequente desta zona.

Em todos os aglomerados da cidade sobressaem alguns edifícios de aparatosas fachadas. Alguns são peças ricas e por vezes símbolos e expressões de uma hierarquia social, que contrasta com a forma simples e rudimentar que a envolve.


No Largo do Rossio poderá ainda visitar:
- o Solar dos Albergaria datado do século XIX, pertencente ao estilo beirão e propriedade de Margarida Mendes Leal;
- a Casa Ferreira de Almeida, datada do mesmo período e igualmente pertencente ao estilo beirão. Esta casa situa-se entre o Largo do Rossio e a Igreja da Misericórdia;
- a Casa Correia Godinho. Esta casa data do século XIX e pertence ao estilo beirão. Foi propriedade da Santa Casa da Misericórdia e antiga sede dos Escuteiros.


Em Santa Comba Dão poderá ainda visitar outro largo: o Largo do Município.

Neste local poderá conhecer a Ponte Sobre a Ribeira das Hortas, uma ponte de cantaria, reconstruída no ano de 1735. Desconhece-se o seu tipo de arquitetura. Alguns historiadores defendem que esta ponte é de origem romana, outros que se trata de uma construção medieval. Antigamente era costume verem-se as mulheres a lavarem a roupa nestas águas, tradição já pouco vista nos tempos que correm.

O Edifício da Câmara Municipal situa-se neste largo.

Data de 1871, o estudo para a edificação dos Paços do Concelho num sítio designado Pombal, localizado na propriedade do Barão de Santa Comba Dão. A arrematação da obra ficou a cargo de Joaquim Pereira da Silva, que a deu por terminada somente no ano de 1876.

Sabe-se que foi deixada uma sala livre a fim de para ali serem removidos alguns presos de pequenos delitos, uma vez que a cadeia não os conseguia albergar.

O Pelourinho, construído em granito, é uma reconstrução do século XIX assente em plataforma com três degraus. Apresenta uma coluna de fuste cilíndrico torso e remate piramidal quadrado, tendo no coruchéu um mamilo cónico e, na grimpa, a esfera armilar em ferro.

O Chafariz é outro marco histórico que pode visitar neste largo. A apresentação do projeto do Chafariz da cidade de Santa Comba Dão data de 1894, e foi elaborado pelo engenheiro Abel Urbano, cujo trabalho ofereceu gratuitamente.


Na Zona Antiga da Cidade pode visitar a Pedra Talhada, o Coreto e a Capela de Nossa Senhora da Conceição e o Miradouro do Outeirinho.

O Miradouro do Outeirinho proporciona uma vista desta terra, onde “a rudez do granito beirão se confunde com a hospitalidade deste povo e o orgulho nas suas lendas: descubra o porquê das suas árvores tomarem, por vezes, a designação de chorões...”

A Antiga Ponte Sobre o Rio Dão constitui um ponto de passagem muito interessante em termos históricos. Trata-se de uma ponte de cantaria que foi ampliada em 1935 e cujo tabuleiro longo encurvado assenta em seis arcos de tamanho desigual. Ignora-se a data em que foi construída, presumindo-se que a ponte seja de origem romana.

Sabe-se que a 20 de setembro de 1810 foi parcialmente destruída por ocasião da terceira invasão francesa, sob o comando do Marechal Massenna e reconstruida em 1825. Assim o confirma uma memória que diz o seguinte: "Foi esta ponte cortada em 20 de Setembro de 1810 pela invasão do Exército Frânces commandado por Massena. Foram reedificadas as suas ruínas e de novo feitas estas cortinas dos lados e a estrada e a calçada da parte sul mediante paternal desvelo do excelso Imperador e Rei o senhor D. João VI em 1825 gastarão-se 3.898$05. Ano DOMINi MDCCCXXV".

Próximo desta data ergue-se a Capela do Senhor da Ponte. Esta capela data do século XVIII e pertence ao estilo barroco. Foi removida do seu local de origem, junto à antiga ponte sobre o Rio Dão, tendo sido reconstruída no sítio onde atualmente se encontra, em consequência do enchimento da Albufeira da Barragem da Aguieira.

 

Lenda
Nas margens do Rio Om existiu um convento onde habitavam meia centena de jovens freiras, virgens consagradas ao Senhor.

Comba era o nome de uma madre abadessa, que jovem se tornou mártir e santa: Santa Comba.

No tempo em que os mouros conquistaram as terras dos Cristãos, avançando para norte, existiu um valoroso rei mouro, de nome Almançor. Após a tomada de Coimbra, o rei Almançor e as suas hostes acabaram por se aproximar do convento onde as freiras, já sabendo da terrível notícia, rezavam de forma a dominar o medo que as consumia.

A calma triste e sombria do interior do templo contrastava com o ruído da peleja e com o clima de morte que pairava no exterior.

Estando as irmãs absortas nas suas orações, bateram à porta com violência. A madre Comba recomendou-lhes calma, não as deixando sair do local do culto. Espreitando pelo postigo, apercebeu-se que as terríveis suspeitas se concretizavam: do outro lado da porta encontrava-se um jovem sarraceno.

Resolveu ganhar tempo alimentando uma conversa no decorrer da qual ficou a saber que o rei Almançor tinha ordenado ao jovem Aben Abdallah que tomasse para si e para os seus soldados as freiras do convento da margem do Rio Om.

Ao saber o que as esperava, a madre pediu que as matasse a todas, ao que o homem retorquiu não poder destruir o que lhes viria a servir. Impaciente, acabou por pôr a descoberto o rosto de Comba e, ficando admirado com a sua juventude e beleza, reservou-a para si. Zangado, ameaçou que se as conversas não terminassem por ali, entraria à força no convento.

A madre abadessa, percebendo que nada poderia fazer para poupar as monjas ao seu destino cruel, deixou passar o primeiro soldado de Aben Abdallah. Este ficou igualmente espantado com a beleza e juventude de muitas freiras e não demorou muito a demonstrar a sua preferência.

Comba chamou a freirinha, beijou-a na testa e a este sinal a jovem sacou do hábito um punhal que cravou no coração. Todas as monjas repetiram o gesto e tombaram inanimadas.

O guerreiro, aterrorizado e perplexo, fugiu chamando pelo seu chefe, que se precipitou no convento. À sua frente a sangrenta cena! Procurou desesperado pela sua preferida, mas Comba jazia nos braços das suas companheiras.

Quando Aben Abdallah contou o sucedido ao grande Almançor este não conteve a sua fúria e desdenhoso vociferou: “Porque não as mataram logo? Essas mulheres não sabem ser gente! “.

Mas os milagres do martírio da jovem bela abadessa permaneceram na memória do povo.

No local do convento surgiu uma povoação que, para se distinguir de Santa Comba do Alentejo e por se situar nas margens do Rio Om, se passou a chamar Comba D’Om. Com o decorrer do tempo o nome evoluiu para Santa Comba Dão.


A Lenda da Virgem Cristã Crucificada
Dizem as lendas que o nome de Santa Comba Dão deriva de Comba, uma virgem cristã aqui martirizada. Segundo umas lendas, Comba era filha de um rico senhor local, no tempo em que os imperadores romanos perseguiam os cristãos.

Um guerreiro romano apaixonou-se pela jovem, que era muito bela. O seu pai quis casá-la, mas Comba pôs como condição que o seu noivo se batizasse. Tanto o pai como o pretendente recusaram. Então, Comba fugiu com a aia, sua mestra. E escondeu-se no monte como se fosse uma pastora.

Até que um dia o pai a encontrou e, desvairado, mandou crucificá-la. No lugar do martírio ergueu-se, mais tarde, uma capela.

Na gruta próxima onde a jovem santa se escondera, brotou uma fonte. E a povoação que nasceu próximo tomou o nome da santa, ligada ao do rio vizinho.

Fonte: http://www.uc.pt/iej/alunos/2001/lendas/beiras.htm