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Vimieiro

História do Vimieiro
A cerca de dois quilómetros de Santa Comba Dão, está situada o território equivalente à antiga freguesia de Vimieiro, atualmente integrada na União de Freguesias de Óvoa e Vimieiro.

Situado junto à Albufeira de Aguieira e próximo da margem esquerda do rio Dão, a antiga freguesia do Vimieiro estendia-se por uma área de 1590 hectares tendo, em 2011, uma população aproximada de cerca de 803 habitantes.

É no Vimieiro que se situa a estação de caminho-de-ferro de Santa Comba Dão. Vimieiro é conhecido por ser a terra natal de António de Oliveira Salazar, que esteve à frente dos desígnios de Portugal durante quase 50 anos.

A descoberta de vestígios arqueológicos de uma calçada romana, atualmente desaparecida, levam a crer que o povoado date da época romana. Todavia, as referências a um povoado calcolítico não podem ser confirmadas.

Segundo dados existentes, o povoamento desta antiga freguesia tem raízes anteriores ao século X e fazem referência à "villa" de Santa Comba, terras do Conde Oveco Garcia.

É este "terra-tenente" que, em seu tempo, faz a doação de quase todas as suas terras ao Mosteiro de Lorvão, as quais, no século XI, transitam para a esfera da Sé de Coimbra. Nesta transição de poder exceptuou-se o Vimieiro que continuou a pertencer ao Couto do Mosteiro.

Segundo Pinho Leal, o nome Vimieiro deriva de vimes existentes ao longo do rio e ribeiros. No Cadastro da Beira de 1527, contabilizavam-se cerca de catorze moradores no Vimieiro e dezoito no Rojão.

A instituição paroquial é bastante tardia, bem como a obra da Igreja de Santa Comba do Couto do Mosteiro, um ponto de visita de referência pois é considerado um dos monumentos mais importantes do Vale do Dão em termos de antiguidade. Foi esta igreja que, no século XV ou XVI, instituiu a paróquia do Vimieiro. Por essa razão, o pároco desta freguesia tinha de se apresentar ao prior da Igreja do Couto do Mosteiro.

Atualmente ainda se realiza a Romaria de Santa Cruz, que tem como principal festividade religiosa a vinda, em procissão, da Santa Columba, da Igreja do Couto do Mosteiro até à Igreja de Santa Cruz no Vimieiro. São cerimónias que nos levam até à antiga submissão paroquial desta igreja à Igreja Matriz.

A Estação de Caminho-de-Ferro situa-se no Bairro da Estação. Há algumas décadas era também a estação da Linha do Dão, facto que contribuiu para um grande desenvolvimento económico, não só resultante do movimento de pessoas e mercadorias, proporcionado pelo comboio, mas também devido às instalações fabris e comerciais existentes na época, grande parte delas já desativadas.

Assumem papel preponderante as atividades relacionadas com as indústrias de transformação de madeira, mobiliário e construção civil, comércio e serviços.

A localidade do Vimieiro foi o primeiro pólo importante, no campo educativo, com o Colégio António de Oliveira, fundado e dirigido pelo doutor Joaquim de Sousa Félix, único a oferecer o ensino secundário no concelho até 1957, altura em que foi encerrado.

Para além da escola primária e do infantário, há ainda outros equipamentos que servem a população do território equivalente à antiga freguesia do Vimieiro, como o Centro Cultural Recreativo e Desportivo do Vimieiro e o Centro Recreativo e Desportivo do Rojão Grande. Este pavilhão gimnodesportivo foi inaugurado a 1 de Julho de 2001 pelo então secretário de Estado do Planeamento, estando preparado para a prática de futebol de salão, basquetebol, ténis e voleibol.

 

Monumentos e locais históricos
São muitos os locais de cariz histórico e cultural, constituídos por monumentos e construções antigas, a visitar no território equivalente à antiga freguesia do Vimieiro, atualmente integrado na União de Freguesias de Óvoa e Vimieiro.

O turista ou visitante pode iniciar a sua viagem histórico-cultural por estas terras, visitando a Igreja Matriz. Todavia, desconhece-se o estilo arquitetónico e a época histórica a que pertence.

No local onde hoje está a Igreja Matriz, existiu já um templo primitivo antiquíssimo, anterior à própria paróquia. A confirmar a antiguidade do local, existem vestígios de sepulturas protocristãs, cavadas na rocha.

Vale a pena visitar a Capela de São Bartolomeu e a Capela Devota de Nossa Senhora da Agonia ambas do século XIX, e a Capela de São Simão.

A Escola Cantina Salazar merece uma visita atenta por parte de quem aqui passa. Inaugurada a 28 de abril de 1940, pelo Ministro de Educação, trata-se de uma obra de arte, toda em pedra, verdadeira escultura, eterna e elegante.

A sua estrutura física é composta por duas salas de aulas; o gabinete dos professores, onde ainda existe um valioso piano; o refeitório, constituído por três mesas com tampas em mármore preto e respetivos bancos agarrados às mesas. O refeitório tem um quadro pintado a óleo que nos retrata uma menina do mundo rural. A menina tem tranças com lacinhos na ponta, saia rodada azul, blusa branca e sacos. Tem na mão um raminho de flores e está junto a um vidro de Santa Filomena. Há ainda uma placa em mármore com os nomes dos beneméritos da cantina e existe uma cozinha com um fogão de ferro.

Foram primeiros professores desta escola o professor Sobral e a professora Marta do Resgate de Oliveira Salazar.

O turista pode ainda visitar o Cruzeiro, o Chafariz e a Calçada Romana que se situam junto à Antiga Ponte Sobre o Rio Dão.

O Cruzeiro, construído em honra de Santa Cruz, é de granito tosco, sendo o local de encontro das cruzes da Romaria de Santa Cruz.

A freguesia do Vimieiro, é também muito rica a nível arquitetónico, destacando-se: os Solares do João Miranda, dos Coutinhos e dos Malhões no Rojão e a Casa Solarenga dos Perestelos no Vimieiro, construída no século XIX, segundo o estilo beirão.

O visitante pode terminar a sua viagem pelo Vimieiro visitando a casa onde nasceu António de Oliveira Salazar e o cemitério do Vimieiro onde o político se encontra sepultado.