Ir para conteúdo

Vimieiro

A cerca de dois quilómetros de Santa Comba Dão, está situado o território equivalente à antiga freguesia de Vimieiro, atualmente integrada na União de Freguesias de Óvoa e Vimieiro.


Junto à Albufeira de Aguieira e próxima da margem esquerda do rio Dão, a antiga freguesia do Vimieiro estendia-se por uma área de 1590 hectares tendo, em 2011, uma população aproximada de cerca de 803 habitantes.

De acordo com documentos históricos, o  povoamento desta antiga freguesia tem raízes anteriores ao século X, que fazem referência à "villa" de Santa Comba, terras do Conde Oveco Garcia. É este "terra-tenente" que, em seu tempo, faz a doação de quase todas as suas terras ao Mosteiro de Lorvão, as quais, no século XI, transitam para a esfera da Sé de Coimbra. Nesta transição de poder exceptuou-se o Vimieiro que continuou a pertencer ao Couto do Mosteiro.


Segundo Pinho Leal, o nome Vimieiro deriva de vimes existentes ao longo do rio e ribeiros.  No Cadastro da Beira de 1527, contabilizavam-se cerca de catorze moradores no Vimieiro e dezoito no Rojão.


No campo religioso, Vimieiro “está intimamento ligado à igreja de Santa Columba do Couto do Mosteiro, Foi esta igreja que, no século XVI ou XVI, instituiu a paróquia do Vimieiro. Por essa razão, o padre desta freguesia tinha de se apresentar ao prior da igreja de Couto do Mosteiro e ainda, de acordo com Pinho Leal ‘dava o pé de altar a uma pequena côngrua e recebia os dizimos’.


Atualmente, ainda se realiza a romaria de Santa Cruz, que tem como principal festividade religiosa a vinda, em procissão, da imagem de Santa Columba, da igreja de Couto do Mosteiro até à igreja de Santa Cruz no Vimieiro.  A cerimónia reporta, precisamente,  à antiga submissão da igreja do Vimieiro à então igreja Matriz do Couto do Mosteiro.                              

                                                                                   
No seu livro “Portugal Antigo e Moderno”, Pinho Leal referia-se a esta festa nestes termos:
“Logo de manhã, antes de principiar a festividade, veem as cruzes das freguesias limitophes – Óvoa, Pinheiro D’Ázere, S. João de Areias e Couto do Mosteiro – Todas em procissão e muito bem ornadas e enfeitadas.
A que chega em último lugar e se apresenta sempre com mais pompa e riqueza é a da freguesia de Couto do Mosteiro, da qual esta freguesia do Vimieiro até 1834 foi anexa.
Passa por Santa Comba Dão, processionalmente, sem o parocho de Santa Comba do Couto do Mosteiro tirar a estola e, quando se aproxima da matriz do Vimieiro, vae o parocho desta freguesia ao encontro d’ella.
Também, processionalmente, com a irmandade e a cruz do Vimieiro, muito povo ,foguetes e música, - e em determinado sítio fazem a cerimónia do encontro (…) e continua a procissão, indo em frente a Cruz do Couto, até à matriz, onde dão três voltas, como todas as outras cruzes, ao som da música (…)!”.


É ainda de referir que a  Estação de Caminho-de-Ferro de Santa Comba Dão  se situa no Vimieiro, precisamente no  no Bairro da Estação. Há algumas décadas esta era também estação da Linha do Dão - facto que contribuiu para o grande desenvolvimento económico vivido na povoação, não só resultante do movimento de pessoas e mercadorias, proporcionado pelo comboio, mas também devido às instalações fabris e comerciais existentes na época  (atualmente desativadas).


A localidade do Vimieiro foi, ainda, um  pólo importante  no campo educativo, com o Colégio António de Oliveira, fundado e dirigido pelo doutor Joaquim de Sousa Félix, a ser  único na oferta do ensino secundário no concelho, até ao ano de 1957, altura em que foi encerrado.


O Vimieiro é também  conhecido por ser a terra natal de António de Oliveira Salazar, político português e figura central do Estado Novo.